Cloudflare BEACON: dados reais de velocidade da web

Cloudflare BEACON: dados reais de velocidade da web

A Cloudflare abriu o BEACON, dataset com bilhões de medições reais de Core Web Vitals no BigQuery, e mostra que o gargalo do LCP está no atraso de carga e de renderização.

O BEACON é um dataset aberto da Cloudflare com bilhões de medições reais de desempenho de páginas, e o dado que mais muda a rotina de quem otimiza velocidade é este: nas páginas com LCP ruim, o que pesa é descobrir e liberar a renderização do elemento principal, não baixar a imagem. A Cloudflare publicou o conjunto em 28 de setembro de 2026, no blog da empresa, com dados diários no Google BigQuery.

Pra quem decide SEO, o ganho é ter, pela primeira vez em escala pública, os Core Web Vitals (as métricas de carga, estabilidade e resposta que o Google mede) em histograma completo, e não só o P75 que o relatório do Search Console mostra.

O que é o Cloudflare BEACON?

BEACON significa Browser Experience Across Cloudflare’s Observed Network. É um conjunto anonimizado de medições de Real User Monitoring (RUM) de 10.000 dos maiores sites da rede da Cloudflare, cobrindo todos os grandes motores de navegador. Ele segue o padrão do RUM Archive, uma base pública de RUM, e a Cloudflare diz que amplia a escala desse projeto em 100 vezes.

Os três Core Web Vitals estão lá: LCP (tempo de carga), CLS (estabilidade visual) e INP (resposta a interação). A diferença é que vêm como histogramas. Dá pra calcular P90 ou P95 e olhar a cauda longa, onde estão os usuários que a média esconde.

Sobre privacidade, a Cloudflare remove domínio e caminho de URL, agrega registros por país, sistema, navegador e protocolo, e descarta qualquer agregado com menos de cinco registros.

Quem enfrenta a web mais lenta?

O iOS, que hoje só roda o motor WebKit, tem o melhor desempenho geral nos Core Web Vitals, mas a vantagem não é universal. Em 46 países onde o WebKit passa de 10% do tráfego, o LCP, o INP ou os dois ficam pelo menos 10% piores que os de navegadores baseados em Blink, como Chrome, Edge e Opera. No Camboja, o WebKit responde por 17,5% das visualizações de página e tem LCP 50% pior que o do Blink.

Por setor, a Cloudflare usa a classificação de domínios da sua Intel API. Governo e Política, Saúde e Conteúdo Seguro pra Crianças aparecem entre os melhores. Anúncios, Religião e Clima ficam entre os piores. Nos percentis mais altos, a estabilidade visual (CLS) despenca em vários setores, algo que o P75 sozinho não mostra.

O que deixa uma página lenta de verdade?

O atraso de descoberta e o atraso de renderização do LCP pesam mais que o download do arquivo. A Cloudflare quebrou o LCP em quatro etapas e mostrou os valores por faixa de classificação:

Etapa do LCP Good Needs Improvement Poor
Document TTFB (HTML chega) 598 ms 1015 ms 1891 ms
Load Delay (descoberta do elemento) 76 ms 1049 ms 1485 ms
Load Duration (download) 119 ms 199 ms 119 ms
Render Delay (bloqueio de renderização) 157 ms 437 ms 2002 ms

Barras empilhadas com as quatro etapas do LCP nas faixas Good, Needs Improvement e Poor, com Load Delay e Render Delay crescendo mais

A leitura da própria Cloudflare é que baixar imagem, fonte ou vídeo costuma ser a parte que menos contribui. Na faixa Poor, o Render Delay chega a 2002 ms e o Load Delay a 1485 ms, contra 119 ms de Load Duration.

Pra INP vale o mesmo raciocínio, com três etapas:

Etapa do INP Good Needs Improvement Poor
Input Delay (main thread ocupada) 18 ms 32 ms 84 ms
Processing Time (JavaScript da interação) 55 ms 112 ms 284 ms
Presentation Delay (pintar a atualização) 56 ms 111 ms 217 ms

Nas interações mais lentas, a execução de JavaScript ocupa o maior intervalo, mas o tempo de apresentação também sobe bastante, em geral por recálculo de layout de CSS complexo.

Na prática, isso muda a ordem da checklist. Antes de comprimir mais uma imagem, descubra se o elemento do LCP está sendo encontrado cedo (dependência de JavaScript atrasa isso) e se algo bloqueia a renderização dele. Quem usa a Cloudflare pode atacar parte do atraso de descoberta com o Smart Hints, e o Zaraz ajuda a reduzir o peso do JavaScript de terceiros, segundo a empresa.

Quase sempre, depois da primeira página. Com o suporte à Soft Navigations API do Chrome, a Cloudflare passou a medir LCP em navegações do lado do cliente, comuns em apps React, Vue, Angular e Svelte. Os valores no Blink:

Percentil do LCP P50 P75 P90 P95
Navegação dura (hard) 791 ms 1.421 ms 2.636 ms 4.122 ms
Navegação suave (soft) 274 ms 582 ms 1.169 ms 1.816 ms
Página de entrada (landing) 1.370 ms 2.681 ms 5.397 ms 8.940 ms

Navegação suave renderiza de duas a três vezes mais rápido que a dura em todos os percentis. Só que a página de entrada, que costuma ser bem mais pesada, tem P95 de 8.940 ms. Se o visitante raramente passa da primeira página, como acontece em muito blog e site de serviço local, uma carga inicial pesada pode nunca se pagar. Quem vem de busca orgânica quase sempre pousa numa página de entrada, então esse é o número que o SEO sente primeiro.

Eu trabalho com SEO desde 2014 e já vi muito projeto trocar de framework pra “ganhar velocidade” e piorar justamente a primeira visita. Mede a landing antes de decidir.

O que o BEACON mostra sobre rede e economia dos países?

A Cloudflare cruzou o BEACON com o PIB per capita do Banco Mundial e com o Internet Quality Index (IQI) do Cloudflare Radar. O padrão geral é esperado: banda maior, LCP melhor. A surpresa veio do tamanho de transferência. Na África, os usuários baixam menos dados por página, o que sugere que os sites são adaptados à rede limitada, embora a Cloudflare avise que não dá pra afirmar a causa. Uma rede boa também pode perdoar um site mal otimizado, e uma rede lenta amplifica os gargalos. A empresa vai lançar uma seção de Web Performance no Radar com essas correlações.

Como usar o BEACON no seu trabalho de SEO?

O dataset está no Google BigQuery, e a Cloudflare guardou lá as consultas de todas as tabelas do post, com nomes como “Global LCP Sub-parts”, “Global INP Sub-parts” e “CWVs by Industry”. Dá pra adaptar cada uma.

O que fazer na segunda-feira:

  1. Abra o relatório de Core Web Vitals do Search Console e separe as URLs em Poor e Needs Improvement.
  2. Em cada uma, descubra a etapa dominante do LCP: HTML lento, elemento descoberto tarde, ou renderização bloqueada.
  3. Compare o seu P75 com a faixa do seu setor nas consultas do BEACON, em vez de comparar com a média global.
  4. Em site de SPA, meça a landing separada das navegações internas.

Resumo: o que levar do BEACON

  • O BEACON é público, diário e tem histogramas completos de LCP, CLS e INP, não só P75.
  • Nas páginas com LCP ruim, Load Delay e Render Delay somam bem mais tempo que o download do recurso.
  • No INP lento, JavaScript pesa mais, mas o tempo de apresentação também sobe.
  • Navegação suave em SPA é de duas a três vezes mais rápida, mas a página de entrada chega a 8.940 ms no P95.
  • O WebKit é o melhor no geral, mas em 46 países fica pelo menos 10% atrás do Blink em LCP, INP ou ambos.

Pra entender como esses números entram no ranqueamento, leia o guia dos Core Web Vitals no SEO. Se a sua dúvida é o outro lado da Cloudflare, veja como bloquear treinamento de IA sem sumir do Google. E pra imagens que atrasam a página, o texto sobre imagens para SEO e carregamento do site continua valendo.

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