Por que o Google lançou tantas atualizações de spam em 2026

Por que o Google lançou tantas atualizações de spam em 2026

No Search Central Live de Barcelona, o Google explicou as atualizações de spam de 2026: muito mais conteúdo novo, IA para detectar spam e conteúdo em escala no alvo.

O Google lançou mais atualizações de spam em 2026 porque está entrando muito mais conteúdo novo no índice, e uma parte alta desse conteúdo é spam. Foi essa a explicação dada no Google Search Central Live Deep Dive Europe, evento de três dias em Barcelona. O time de busca disse ainda que agora usa IA para pegar mais casos, e Gary Illyes, analista do Google, deixou um alerta: conteúdo em escala está virando um problema maior que spam de links.

O resumo do terceiro dia, de 2 de outubro, foi publicado por John Campbell no We Are Roast e repercutido por Barry Schwartz no Search Engine Roundtable. Nacho Mascort, consultor de SEO espanhol que estava na sala, publicou os slides no X e escreveu uma análise longa no blog dele.

O que o Google disse sobre as atualizações de spam em Barcelona?

As atualizações de spam ficaram mais frequentes porque o volume de conteúdo novo cresceu, segundo o Google. Os pontos registrados no resumo do We Are Roast e no Search Engine Roundtable:

  • Uma porcentagem alta do conteúdo é spam, e é isso que as atualizações de spam atacam.
  • Houve mais atualizações recentemente porque há muito mais conteúdo novo.
  • O time passou a usar IA para pegar mais exemplos de spam.
  • O “AI slop” (conteúdo de IA feito em massa e sem cuidado) está aumentando, e isso significa mais conteúdo ruim no Discover. A observação é atribuída a Eric Murillo, um dos palestrantes.
  • O feedback dos usuários é a matéria-prima dos novos filtros de spam.
  • O Google filtra 40 bilhões de páginas de spam por dia.

O último número não é novo. A página How Search Works já diz que os sistemas do Google encontram “40 bilhões de páginas com spam todos os dias”, e que o combate usa aprendizado de máquina e grandes modelos de linguagem. A novidade de Barcelona está no contexto: o Google ligou a frequência das atualizações ao volume de conteúdo e disse com todas as letras que IA está do lado da detecção.

A atualização mais recente desse ciclo foi a de setembro de 2026.

Por que o Google continua mudando a forma de avaliar qualidade?

O Google continua mudando a avaliação de qualidade por três motivos, apresentados por Gary Illyes:

  1. Os formatos de conteúdo se multiplicaram. A busca saiu dos dez links azuis e passou a mostrar muito mais mídia. Cada formato pede um jeito próprio de medir qualidade.
  2. A quantidade de conteúdo cresceu. Existem muito mais páginas e sites do que antes.
  3. Os problemas de conteúdo mudam. Aqui entra o spam propriamente dito: cloaking (mostrar uma página pro robô e outra pro usuário), doorway pages (páginas de entrada criadas só pra ranquear), conteúdo copiado, spam de links e sites hackeados.

Nos slides publicados por Nacho Mascort, o Google mostra a escala do segundo ponto: para cada resultado que existia para “naranja” (laranja, em espanhol) em 2000, há cerca de 20 mil em 2025. O próprio Mascort avisa que não encontrou fonte pública para esse dado, só o slide. Outro slide traz números de 2023 que o Google já divulga: 719.326 testes de qualidade, 124.942 experimentos lado a lado, 16.871 experimentos com tráfego real e 4.781 mudanças lançadas.

O que Gary Illyes quis dizer com “conteúdo em escala”?

Conteúdo em escala é a produção de muitas páginas com pouco ou nenhum valor próprio, geralmente por automação, com o objetivo principal de ocupar espaço na busca. É uma das categorias da política de spam do Google, e a IA generativa barateou esse tipo de produção.

Segundo o resumo do We Are Roast, Gary disse que esse problema está ficando maior que o spam de links. A frase pesa porque link comprado foi, por muitos anos, o alvo número um das punições. Trabalho com SEO desde 2014 e passei boa parte desse tempo explicando a cliente por que não comprar link. A conversa agora é outra: quantas páginas o site publica sem que ninguém tenha colocado trabalho nelas.

John Campbell fechou o resumo com uma previsão dele, não do Google: esperar mais atualizações de spam e novos limites, com conteúdo escalável e de baixa qualidade como o principal risco.

Como o Google define qualidade?

O Google define qualidade como o quanto uma pessoa colocou de esforço, originalidade, talento, habilidade e precisão na criação do conteúdo. Essa foi a definição do slide “What is Quality?” em Barcelona, e ela se apoia nos quatro pilares das diretrizes dos avaliadores de qualidade.

Slide do Google no Search Central Live Deep Dive Europe 2026 com os quatro pilares de qualidade: esforço, originalidade, talento ou habilidade, e precisão
Os quatro pilares de qualidade apresentados pelo Google em Barcelona. Foto de Nacho Mascort, publicada no X.
Pilar O que o slide descreve
Esforço Quanto uma pessoa trabalhou ativamente para criar conteúdo satisfatório, de forma direta (traduzir um poema) ou indireta (criar uma página que oferece tradução automática como serviço)
Originalidade Se o conteúdo traz algo que não existe em outros sites. Se outros sites têm conteúdo parecido, se essa página é a fonte original
Talento ou habilidade Se o conteúdo foi feito com talento e habilidade suficientes para dar uma boa experiência a quem visita
Precisão Se o conteúdo é factualmente correto. Em temas YMYL (que afetam saúde, dinheiro ou segurança), se é consistente com o consenso de especialistas

Esses mesmos critérios entraram por escrito na documentação de conteúdo útil do Google na semana passada, o que expliquei no post sobre main content e qualidade da página. Em Barcelona, Duy Nguyen, do Google, resumiu a posição sobre IA assim, segundo o We Are Roast: “o ponto é a qualidade, não quem escreveu”.

O que é conteúdo commodity?

Conteúdo commodity é o texto intercambiável: se você trocasse a marca do site pela de um concorrente, nada mudaria. O termo apareceu num slide do Google mostrado em Barcelona, com exemplos lado a lado.

Slide do Google com exemplos de conteúdo commodity e não commodity para loja de corrida, corretor de imóveis e loja de utensílios de cozinha
Exemplos de conteúdo commodity e não commodity no slide do Google. Foto de Nacho Mascort, publicada no X.
Negócio Commodity Não commodity
Loja de corrida “10 coisas a considerar ao comprar tênis de corrida” Vídeo analisando o desgaste do tênis de um cliente, que cedeu depois de 400 milhas (cerca de 640 km), explicando por que a pisada dele afundou a espuma
Corretor de imóveis “7 dicas para quem compra o primeiro imóvel” Relato de uma disputa real: por que a oferta abriu mão da vistoria e economizou 15 mil dólares
Loja de cozinha “O que é uma cozinha e para que serve?” Como cuidar de frigideiras de ferro fundido fabricadas antes de 1940

A coluna da esquerda é exatamente o tipo de texto que uma IA produz aos milhares em uma tarde. A da direita depende de algo que só aquele negócio viu. Pra quem tem site de empresa, o exercício é olhar o próprio blog e contar quantos posts caberiam na coluna da esquerda.

As atualizações principais avaliam a página ou o site inteiro?

Aqui os relatos de quem estava na sala não batem. O resumo do We Are Roast, repetido pelo Search Engine Roundtable, registra que as atualizações principais miram o conteúdo no nível da página, não do domínio, e que por isso algumas páginas de um site sobem enquanto outras caem.

Nacho Mascort escreveu o contrário no blog dele: que Gary Illyes “deixou claro que os core updates olham para o site”. Mascort acrescenta uma leitura própria, baseada nos documentos vazados da API do Google, que citam sinais no nível do site como siteAuthority. Ele marca essa parte como interpretação dele.

O Google não publicou a apresentação, então não dá pra decidir pelo texto original. Na prática, as duas versões levam à mesma tarefa: a página fraca é um problema, seja porque cai sozinha, seja porque pesa no site.

Quanto tempo leva para recuperar de uma atualização principal?

A recuperação de uma atualização principal leva de 3 a 6 meses no caso típico e de 6 meses a 1 ano no pior caso, segundo os slides que Gary Illyes mostrou com dados de análises internas. Os dois relatos concordam nesse ponto. O We Are Roast registrou também que uma atualização principal leva de 2 a 4 semanas para terminar de ser lançada, enquanto uma atualização de spam leva de 1 a 2 dias.

O que é a skill de auditoria de qualidade do Nacho Mascort?

A skill google-quality-audit é uma ferramenta que Nacho Mascort criou para Claude e Codex, os assistentes de programação da Anthropic e da OpenAI. Ela audita páginas pelos quatro pilares de qualidade, aplica o teste de conteúdo commodity e cruza o resultado com sinais dos documentos vazados da API do Google, gerando relatório por página e por tipo de página. O download é gratuito, com cadastro de e-mail, no post dele.

O artigo também traz um número de fora do Google: um levantamento da Ahrefs estimou que 74,2% das páginas novas de abril de 2025 tinham conteúdo gerado por IA.

Resumo: o que fazer na segunda-feira

O Google disse em Barcelona que o volume de conteúdo novo explica a sequência de atualizações de spam em 2026, que agora usa IA para detectar spam e que o conteúdo em escala preocupa mais que o spam de links. Os critérios de qualidade continuam os quatro pilares: esforço, originalidade, talento ou habilidade, e precisão.

  • Liste as páginas publicadas nos últimos 12 meses e marque as que caberiam na coluna “commodity” do slide.
  • Pra cada uma, decida: acrescentar algo que só o seu negócio tem (dado, caso, foto, teste), unir com outra página ou remover.
  • Se você publica com IA, defina quem revisa e o que essa pessoa acrescenta antes de ir ao ar.
  • Se o site caiu numa atualização principal, trabalhe com o prazo de 3 a 6 meses que o Google mostrou, não com recuperação na semana seguinte.
  • Se você depende do Discover, acompanhe o tráfego por lá com atenção: foi o canal citado no evento como alvo do aumento de AI slop. Contexto no post sobre o teste do Dive Deeper no Discover.

Pra montar o calendário de conteúdo em cima de poucos temas fortes em vez de muitos posts rasos, veja o texto sobre autoridade tópica e clusters de conteúdo.

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